ITINERÁRIO FUNDAMENTAL
1 - História da psicanálise
12h de aulas gravadas + 12h de aulas ao vivo
O que pode ser uma leitura histórica renovada da psicanálise, através de seus movimentos institucionais, a evolução de seu quadro teórico, de seu aparelho conceitual, sua prática, sua presença na cidade?
Tentaremos responder a este desafio: devemos pensar e questionar a história da psicanálise para que ela não se feche no seu passado e nos seus dogmas.
Professor: Fabrice Bourlez (França/Bélgica), Jed Wilson (EUA)
2 - Conceitos fundamentais
12h de aulas ao vivo
Este curso de Conceitos Fundamentais da Psicanálise propõe um espaço de encontro entre diferentes percursos, acolhendo tanto aqueles que já possuem experiência quanto os que se aproximam pela primeira vez. Com uma linguagem clara e rigorosa, busca tornar acessíveis os conceitos centrais e sua potência na leitura do sujeito contemporâneo.
Ao longo do percurso, serão oferecidas ferramentas que favorecem o diálogo com as demais disciplinas e abrem novas possibilidades de escuta e interpretação. Um convite à construção de novos olhares, tanto para quem inicia quanto para quem deseja reinventar seu próprio caminho na psicanálise.
Professora: Mônica Godoy (Brasil)
3 - A abertura dos 20 primeiros seminários de Lacan
40h de aulas gravadas + 15h de aulas ao vivo
Durante várias décadas Jacques Lacan ministrará seu ensino através de seminários, porém ele mesmo dirá que não buscava transmitir um conhecimento, mas propiciar um espaço de dizer de um analista, na posição de analisante.
Lacan fecha seu texto “A psicanálise e seu ensino” com as seguintes palavras: “Qualquer retorno a Freud que materialize um ensino digno desse nome, só se produzirá pela via, por onde a verdade mais oculta se manifesta nas revoluções da cultura. Esta via é a única formação que podemos pretender transmitir a quem nos segue. O nome dela é: um estilo”
Ensino: insignis em latim; o que é marcado com um signo.
De que signo e de qual estilo se trata neste Seminário?
Para explorar essas questões, nos propomos a estudar rigorosamente durante este ano a cada mês a primeira (ou as primeiras) frase(s) de um seminário. Começaremos pelo primeiro seminário e continuaremos assim, cronologicamente até seminário 20. Esta proposta será, certamente, a oportunidade de traçar um caminho possível no seio deste ensino.
Professor : Benoît Le Bouteiller (França/Brasil), Marta Marciano (Brasil)
4 - Construção de caso clínico
12h de aulas ao vivo
A construção do caso clínico é uma prática no cerne da história da descoberta freudiana. Este curso se inscreve nessa longa tradição, inseparável da própria ética da psicanálise. A cada mês, um membro do corpo docente do IIP fará uma apresentação sucinta de uma situação clínica extraída de sua própria prática analítica. Caberá demonstrar a possível construção do caso e extrair dele sua própria invenção — entre estrutura e singularidade. Será reservado amplo tempo para discussão e debate após a apresentação clínica.
Professoras/ies/es: Jed Wilson (EUA), Ceren Korulsan (Turquia), Fabrice Bourlez (França/Bélgica) , Berjanet Jazani (Irã/Reino Unido), Nicolas Tajan (França/Japão), Elsa Godart (França), Yara Castanheira (Brasil/Alemanha)
ITINERÁRIO TRANSVERSAL
1 - Freud através de seus textos
10h de aulas ao vivo, gravadas e discussões
Sigmund Freud iniciou sua carreira como médico e pesquisador especializado em anatomia cerebral e sistema nervoso. Acompanhando seus textos vamos seguir o caminho que o levou à invenção da psicanálise. Este curso oferece uma imersão na aventura da descoberta freudiana. Cada professora/ie escolherá um artigo de Freud e irá visitá-lo, questioná-lo, extrair dele suas linhas de força, dizer como esse texto alimenta a clínica, uma pesquisa em processo de realização, mas também dizer os limites, os erros que marcam, talvez, o texto freudiano.
Professoras/ies/es: Ceren Korulsan (Turquia), Fabrice Bourlez (França/Bélgica), Berjanet Jazani (Irã/Reino Unido), Elsa Godart (França), Nicolas Tajan (França/Japão), Gabriel Tupinambá (Brasil), Yara Castanheira (Brasil/Alemanha)
2 - Artistas, cientistas e filósofos dialogando com psicanalistas
4h30 de aulas ao vivo
A psicanálise não vive isolada. Ela se alimenta das questões que o mundo lhe apresenta e daquelas que ainda não conseguiu formular. Nesse espírito, convidamos três profissionais para falar sobre seu trabalho: um cientista, um artista e um filósofo. Cada um virá com suas próprias ferramentas, seus próprios enigmas, sua própria relação com o sujeito humano. Nenhum deles será convocado como porta-voz da psicanálise. E é precisamente aí que reside o essencial. Pois trata-se de aprender a escutar de outra maneira. De ouvir um pesquisador descrever seus protocolos e perceber, nas entrelinhas, o que a ciência faz do sujeito — ou aquilo que ela apaga dele. De escutar um artista falar de seu processo criativo e reconhecer, em suas hesitações, algo da ordem do sujeito do desejo e do inconsciente em ação. De acompanhar um filósofo em suas questões e sentir onde o pensamento se encarna, ali onde o conceito se torna ato. Essas três sessões não são ilustrações da teoria psicanalítica. Elas são um convite para praticar, desde a formação, esse gesto fundamental do analista: ser atravessado por um discurso, receber aquilo que o excede e deixar que isso opere. O que cada participante dirá sobre seu próprio mundo nos fala, nas entrelinhas, sobre o de uma psicanálise contemporânea em movimento.
Professoras/ies/es: Rafael Malagoli (Brasil) e outros a confirmar
3 - A prática do psicanalista
5h de aulas ao vivo
Como um/a/e psicanalista/e recebe o paciente? Como ele ou ela escuta, intervém, suporta o silêncio, atravessa os momentos de crise ou de impasse? Como pensa o que faz — e o que deixa de fazer?
Essas questões essenciais raramente encontram resposta apenas nos textos teóricos. É no encontro, na forma como a/e/o profissional fala sobre seu trabalho, no timbre de sua voz e no estilo de seu pensamento, que algo da ordem da transmissão se torna possível.
Este é o desafio deste novo curso. A cada sessão, um/a/e psicanalista é convidada/e/o. Um grupo de estudantes terá preparado previamente uma série de perguntas sobre os aspectos mais concretos e técnicos do trabalho clínico: a condução da terapia, o manejo da transferência, a pontuação e a interrupção, os finais de sessão, os inícios de análise, os momentos difíceis. Essas perguntas abrem o encontro; outras surgem ao longo do caminho, impulsionadas pela troca viva.
De uma sessão para outra, estilos diferentes se apresentam, não para extrair uma doutrina unificada, mas para que cada estudante possa perceber, de forma encarnada, o que envolve a ideia de uma ética da psicanálise, não como princípio abstrato, mas como prática.
Professoras/ies/es: Mônica Godoy (Brasil), Jed Wilson (EUA), Berjanet Jazani (Irã/Reino Unido), Fabrice Bourlez (França/Bélgica)
4 - Psicanálise e mundo contemporâneo
16h30 de aulas ao vivo e gravadas
4.1 Introdução à topologia
4h30 de aulas ao vivo
A última parte do ensino de Lacan convoca figuras matemáticas incomuns — entrelaços borromeanos, fita de Möbius, toros, cross-cap — não como ornamentos ou metáforas, mas como ferramentas de pensamento em si para o sujeito humano. Para se engajar seriamente nesse universo, é preciso aceitar se deixar surpreender por uma disciplina que desfaz as certezas sobre espaço e forma.
É por isso que convidamos um matemático, topólogo, para abrir, em três sessões, uma porta de entrada nesse campo. O objetivo não é, obviamente, transformar os estudantes em matemáticos, mas permitir que cada um desenvolva uma intuição topológica — essa maneira particular de pensar a continuidade, a deformação, o dentro e o fora, a interrupção — que tornará a leitura de Lacan menos opaca e, sobretudo, mais frutífera.
O curso será conduzido em um espírito de diálogo e acessibilidade. Nenhum pré-requisito matemático é necessário. Ele se destina a todos que desejam se preparar para abordar os seminários tardios de Lacan e os desenvolvimentos teóricos e clínicos que prolongam essa elaboração.
Professor: Lukas Baugher (EUA)
4.2 Aula sobre autismo
3h de aulas ao vivo
Algumas instituições e formações em psicanálise ainda seguem operando através da lógica universalista que atravessa interpretações de vivências dissidentes, dentre elas as atípicas. Assim, compreender que as experiências de mulheres autistas em território nacional, entre outras questões, passam por recortes específicos, se faz urgente.
Em defesa de teorias que sejam descoloniais, anticapacitistas e alinhadas a revisões de violências epistêmicas, trazemos uma exposição interessada na reparação histórica de corpos invisibilizados pelo discurso analítico de viés lacaniano. A partir principalmente da leitura de obras de mulheres autistas brasileiras, buscamos oferecer à comunidade um outro caminho, diferente de como ocorre a recepção local das autobiografias internacionais, algumas ainda mediadas por traduções e leituras que parecem mais fazer caber a escrita autista em dogmas teóricos do que para o acolhimento de um saber sobre si.
Então os convidamos a pensar: em que condições uma psicanálise pode sustentar a escuta e dar lugar à dignidade de testemunhos de pessoas autistas?
Professoras/ies/es: Tatiana Gomes (Brasil) e Lílian Paula Serra e Deus (Brasil)
4.3 Psicanálise e saberes situados: epistemologias plurais
4h30 de aulas ao vivo
Descentrar a psicanálise - Professor/a/ie a confirmar
Jalil Bennani nos propõe uma crítica do eurocentrismo e da psiquiatria colonial, como o fez Frantz Fanon. Para não ser importada, a psicanálise precisa ser (re)apropriada e, assim, apoiar-se num contexto geográfico, político, cultural e linguístico local. Essas são as melhores condições possíveis para uma transmissão verdadeira, pensando no futuro da psicanálise que precisa renovar-se, reinventar-se, e isso é possível apenas passando por outros horizontes.
Raça, gênero e classe - Jeferson Nicácio (Brasil)
Seria o momento de dar lugar às vozes abafadas pela história das instituições psicanalíticas? Ou o fato de se construir um pensamento crítico em relação a certas posturas e teorias decorrentes da descoberta freudiana e de seus efeitos? Sem dúvida… Nós acreditamos que esse movimento necessário pode se fazer por meio de uma prática clínica, política e teórica singulares. Neste curso, um psicanalista evocará, a partir da abordagem crítica de questões diferentes, uma encarnação possível da perspectiva de decolonização.
4.4 Os gozos pós-humanos
3h de aulas gravadas + 1h30 de discussão ao vivo
Nossos corpos gozam. Gozamos ao tocar(-nos), ao ver(-nos), ao falar(-nos), ao sentir a falta um do outro. Freud desnaturaliza nossos corpos ao concebê-los a partir da libido e das pulsões. Lacan retornava a Freud ao inventar o objeto pequeno a e o mais-de-gozar. Dessa forma, tanto um quanto o outro revolucionaram a consideração do campo sexual. No entanto, ambos circunscreviam o sexual e suas especificidades apenas ao fato humano.
Mas, se seguirmos o ensinamento de Foucault, a própria figura do Homem é uma invenção destinada a desaparecer. Na era das máquinas, das redes, da inteligência artificial, dos chips e das nanotecnologias, na época das crises tecnológicas globalizadas e do antropoceno, não seria tempo de pensar um inconsciente pós-humano?
O curso tratará, portanto, dos gozos pós-humanos. Procurará enfrentar um desafio: refletir sobre como a clínica trabalha e se transforma a partir da mudança de paradigma que nossas formas de gozo atravessam.
Professor: Fabrice Bourlez (França/Bélgica)
ESPAÇO DE ACOLHIMENTO
1 - Tempo de escuta
7h30 de aulas ao vivo
Encontro de uma hora e meia no final de cada dois meses que visa acolher questões e comentários relacionados com o conteúdo do ensino e da formação em geral. A palavra nesse espaço será escutada na singularidade de cada sujeito a partir da ética da psicanálise. O conteúdo dessas reuniões bimestrais está aberto ao contingenciamento de solicitações de quem o desejar.
Professor: Hugo Valente (Brasil)
2 - Apresentação da formação
1h de aulas ao vivo
3 - Curso introdutório de apresentação da turma
2h de aulas ao vivo